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Resultado do Passatempo Pet Olímpico: Nádia&Diva

13.8.12
Passatempo| Como o prometido é devido e porque ao invés de um vencedor temos dois vencedores, hoje falaremos do par Nádia&Diva. Sob o título de "Diva, uma doce marota" recebemos a participação de Nádia Rodrigues no Passatempo Pet Olímpico. Uma história comovente e que fala por si
Diva&Nádia
"A Diva, uma cadela de raça Rottweiler, nasceu em Abril de 2001. Foi adoptada por nós assim que deixou a mamã… e claro, veio completar a nossa família!

No início, não a pude levar logo para casa dos meus pais pois o nosso jardim não era vedado e estava infectado pelo vírus da Parvovirose. Solução: fazer companhia à minha bisavó. E aqui começou a primeira aventura…

Dia 1: Recordo apenas a viagem dela dentro de uma caixa de cartão, no meu colo de carro; as compras que fiz para ela com a minha mãe (por si só uma peripécia pois eu com apenas 14 anos não sabia ao certo o que precisava um cão como ela).

Os dias passaram e a vedação da área do jardim estava a ser desenvolvida. Quanto à avó Cândida, ui! Perdeu rapidamente a paciência com a Diva e incumbiu-nos de nos dias seguintes levar a pequenina para casa. A cadela dentro de casa, comeu-lhe chinelos e plantas, danificou imensos materiais de costura, etc. e claro, a avó, com a experiência que tinha com cães foi buscar o jornal enrolado. Resultado, nem a cadela aprendeu nada, nem a minha avó preservou o jornal pois a cachorra vingou-se e comeu-o.

Levámo-la para casa, e aí ela conheceu melhor as suas amigas para a vida: a Nininha (Pinscher Anão mais velha um ano) e a Gisela (a minha manita bebé).

Fico tentada a referir que a Gi tinha medo de todo o tipo de animais, inclusive cachorros… com o tempo aprendeu que a Diva apesar de ser grande e forte (mesmo com 3 meses), era uma cadelinha muito meiga, protectora e brincalhona. Tornaram-se as melhores amigas! Já com a Nininha não se pode dizer o mesmo: apesar de se amarem, tinham imensos ciúmes quando eu estava por perto.

Quando chegaram as férias, a família manteve a rotina anual mas desta vez levávamos também a Diva. O seu crescimento entre os 3 e os 5 meses foi num apartamento, tal como a aprendizagem. Eu, consciente ou inconscientemente, pesquisei imenso sobre a raça, que desde que a conheci pela primeira vez me despertou uma paixão linda. E com os meus 14 anos, treinei a cadela a partir de um livro:

 1ª fase do treino – onde fazer as necessidades se não podia sair do apartamento pelo próprio pé? Fácil, caixa de plástico duro, comprida e baixa, e areia de gato.

Conclusão: apesar de alguns despistes rápido aprendeu onde devia fazer o seu xixi e afins. Problema: como todo o ser vivo, ela cresceu! A caixa não… e a intensão dela era sempre das melhores, mas não tinha lá muita pontaria;

 2ª fase – senta, deita, … fácil com a Diva, difícil ler o livro em horas e decorar/ perceber o que eu devia fazer sem andar sempre com ele;

 3ª fase – Depois de já ter a sua dose de veterinário, a Diva começou a sair com as patinhas no chão. E o primeiro passeio foi à praia… tanto brincou que caiu para o lado, e com isto os donos também. Acontece é que quando acordámos de uma bela soneca de praiada, o para-vento tinha desaparecido…

 4ª fase - levar a mana e a Diva a passear… Um treino sempre difícil para todos é manter o cão ao lado sem puxões nem mordidas na trela durante pelo menos 1m. Acontece que, como era o inicio da aprendizagem a Diva não fugia a essa regra quase geral. No entanto, eu tinha um César Milan em versão feminina e de 3 anos em casa: a Diva passeava com a Gi, sem qualquer puxão ou brincadeira, e quando sentia que puxava? Recuava com todo o seu encanto e beleza para acompanhar a bebé. Tenho a dizer que é algo fantástico de se ver!

Os treinos continuaram ao longo dos tempos, e ao fim de 18 meses eu tinha um Rottweiler que andava ao lado e se portava lindamente quando toda a envolvente estava deserta. Quando um galho daquela árvore X se mexia, a Diva ligava o piloto-automático e puxava até não haver amanhã e não me deixava andar sem tentar morder a trela (coisa que conseguia quando eu parava para conversar com alguém).

Neste período e apenas com 5 meses, ela protegeu-me de uma possível violação ou assalto, que me demorou esquecer. E com amigas assim porquê andar só na rua? Foi algo que nunca mais aconteceu.

Terminadas as férias e com a casa vedada, a Diva teve o seu espaço permanente e para toda a vida… um espaço de inúmeras aventuras visíveis e invisíveis!

Lá em casa tivemos de tudo, desde bolas desaparecidas e encontradas a entupir tubos de esgoto debaixo do jardim, buracos nos jardins de brita e relva, mangueiras comidas, plantas devoradas, e descuidos para chamar a minha atenção. Também houve muita queda: de rabo, de costas e de barriga… joelhos e canelas negros, pulsos abertos, pais lesionados, grandes feridas nas mãos e vizinhos assustados mas divertidos com as situações.

Aventureira como era, ela adorava correr atrás de nós ou contra nós, de ajudar a minha mãe a “plantar” bolbos no jardim… um excelente trabalho de equipa que consistia em plantar, e a Diva colher imediatamente atrás, de subir as escadas do escorrega da minha irmã, de em passo de corrida passar entre as minhas pernas e de, principalmente perseguir (ou pensar nisso) gatos quando estava à trela e em ruas inclinadíssimas!!!

Ela conseguiu levar até à nossa família algo que não tínhamos, apesar de já termos um cãopanheiro, algo tão especial e bom que nunca soube bem o que era… A Diva foi uma cadela que apenas aos 4 anos de idade amadureceu e se tornou calma.

A sua vida teve o melhor que lhe pudemos dar, e sinto que tudo foi perfeito. Mesmo quando ela adoeceu… após operação de remoção dos órgãos de reprodução derivada de uma doença genética, dormi com ela, alimentei-a na boca, aqueci-a quando teve frio, estudei a seu lado sem nunca a abandonar por nada. Teve uma recuperação lenta e problemática mas a sua sobrevivência foi conseguida! Mas ela sempre me agradeceu, e as maiores aventuras dela partem desse agradecimento…

Quando dizem que um cão é mau e problemático pelo tamanho, pensem duas vezes antes de apontar o dedo. Quando eu mais precisei, antes da família chegou sempre ela, com carinho e pedidos de mimo e beijinhos. Arrisco-me dizer que até há bem pouco tempo nunca tive aquele amigo com quem pudesse contar, de duas patas! Mas ela estava sempre para mim.

Aos 5 anos a Diva achou por bem ir nadar… ou então não! Lá pavor de água tinha ela, e não fui capaz de a convencer que a água não lhe faria mal algum. Acabei eu esse dia a tratar de grandes feridas no peito e na barriga que ela me tinha feito enquanto nadava com medo de não o saber fazer, para vir parar ao meu colo (gostava de saber que lhe passou pela cabeça nesse momento).

Depois disso, talvez até tenha perdido o medo pois um dia de passeio pela floresta próxima de casa, decidiu ir nadar dentro de um poço antigo e sem vedação. Um episódio nada caricato, pelo perigo de a retirar sozinha de um poço cuja água estava bem longe (tal como ela), de nunca a abandonar e do pânico de a ver sufocar por causa do açaimo que trazia colocado. Ao fim do que pareceu ser uma eternidade, consegui retirar-lhe o açaimo e puxá-la sob ordens de comando que ela bem entendia para fora do poço. Final feliz para nós, final trágico para a trela que lá ficou.

Aos 6 anos, fez uma longa e engraçada viagem para França de automóvel. Drogada em calmantes a pobre coitada nem conseguia beber água… chamávamos-lhe “homem bêbedo”. Acho que mais que eu amou a estadia.

Aos 9 anos a Diva adoeceu, algo dentro dela não estava a funcionar bem. Relatórios clínicos reservados e muita muita preocupação. A minha Diva estava a morrer… Foram dias de agonia para toda a família, mas principalmente para mim.

A Diva não comia, não ladrava a estranhos, passava os dias deitada com ar de sofrimento e a tomar imensos medicamentos para aguentar os seus órgãos debilitados. Cheguei a pensar em pô-la a dormir, pois o sofrimento dela era algo que nos atingia com toda a força e o Inverno estava a chegar.

No dia da recriação da Batalha do Buçaco (27 de Setembro 2010), fui tomar café com colegas de escola, depois de almoço e talvez ver um pouco da encenação. Deixei-a sozinha, pela 1ª vez em tanto tempo. Depois de algum tempo com os meus colegas e sem seguir o plano da tarde, decidi voltar para casa pois não suportava a situação de a deixar só. Quando cheguei, com um aperto no coração abri o portão do jardim para entrar… hesitei imensas vezes, vezes demais! Quando ganhei coragem entrei… e lá estava a minha bebé, deitada e sem pulso, junto da janela do meu quarto. Dormia profundamente, como sempre fez na sua vida perfeita de cão.

Hoje continuo a visitá-la na sua sepultura, no seu local favorito da casa. Onde jaz um exemplar perfeito de amizade e protecção, de um membro da família, com os seus brinquedos favoritos e uma carta… escrita pela minha irmã, a qual ainda hoje só ela sabe o que escreveu.

Com a Diva foi toda uma ligação inexplicável de amizade e um pedaço de cada um dos nossos corações. Dois meses depois, também com ela foi a Nininha, a pequena Pinscher que não suportou a solidão e faleceu calmamente na sua caminha.

Ficou a recordação de grandes aventuras, de passeios maravilhosos e de uma ligação fortíssima. Uma estrelinha que ainda hoje brilha para mim, bem alto lá no céu!

RIP 10/04/2001 – 24/07/2010"