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Será a castração a solução?

16.1.13
Patas&Focinhos Fotografia
Saúde| Pela mesma razão que os jovens adolescentes têm comportamentos, no mínimo, inexplicáveis, também estes pequenos adolescentes caninos se lançam à descoberta dos brinquedos, nomeadamente dos peluches.

A castração é um dos métodos de esterilizar conduzindo à redução do instinto sexual - agressividade, marcação de território e vontade de passear, mas não impede o pequeno de desejar imenso uma relação mais intima com a sua almofada/peluche. Entende-se por castração, nos machos, o retirar os testículos, o que vem a contribuir para reduzir, no que diz respeito ao comportamento, a agressividade motivada por excitação sexual constante, a fuga de cães, a demarcação territorial (xixi fora do lugar) e o "agarramento" na perna das pessoas. Existem outros métodos, como por exemplo a vasectomia (machos) e a laqueação/secção das trompas (fêmeas). Ambos os procedimentos não removem os órgãos sexuais, apenas interrompem os canais reprodutivos. levando à infertilidade. Assim, o animal pode acasalar normalmente, só não são capazes de procriar.

Será a castração a solução?

Saber se castração é a solução para estas demonstrações sexuais do "safado" não é só entender o que significa este procedimento cirúrgico. Significa entender as várias variáveis que se encontram subjacentes a ele. As associações de animais acreditam piamente que é uma forma de controlar a população canina, daí pedirem a esterilização do animal  a adoptar. Contudo, cada caso é um caso. E se o cão A pode ser submetido a uma cirurgia, o cão B pode não ser.

Existe um artigo da Drª Margaret V. Root Kustritz, denominado de Determining the optimal age for gonadectomy of dogs and cats, onde se discute o melhor momento para realizar a castração de um animal. De acordo com a autora, a castração será indicada entre os 3 e os 6 meses. Entretanto, a sua opinião mudou, considerando que o ideal é entre os 6 e os 9 meses, tendo em consideração que as fêmeas devem ser esterilizadas antes do primeiro cio. É referido que existe maior probabilidade de complicações quando a rapaziada tem menos de 2 anos, excluindo o caso dos cães de trabalho e das fêmeas. No primeiro caso, o procedimento pode ser feito em qualquer idade já que tal não os afecta. No segundo caso, estas podem ficar mais agressivas após o processo devido à diminuição de estrogénio e ocitocina.

Já num outro artigo Long-Term Health Risks and Benefits Associated with Spay / Neuter in Dogs, Laura J. Sanborn admite a existência de um lado negativo e um lado positivo na esterilização dos machos e fêmeas.

Aspectos positivos da castração dos machos 
  • Elimina o risco pequeno (provavelmente de 1% <) de morrer de cancro de testículo; 
  • Reduz o risco de cancro de próstata; 
  • Reduz o risco de fístula perianal; 
  • Possivelmente reduzir o risco de diabetes (dados inconclusivos). 
Aspectos negativos da castração dos machos 
  • Se for feita antes de 1 ano de idade, aumenta significativamente o risco de osteossarcoma (cancro nos ossos), sendo este um cancro comum em raças de porte grande e médio; 
  • Aumenta o risco de hemangiossarcoma cardíaca em 1,6x; 
  • Triplica o risco de hipotireoidismo; 
  • Aumenta o risco de disfunção cognitiva geriátrica progressiva; 
  • Triplica o risco de obesidade, um dos problemas de saúde comuns em cães com muitos problemas de saúde associados; 
  • Quadruplica o risco pequeno (<0,6%) de cancro de próstata; 
  • Duplica o risco pequeno (<1%) dos cancros do trato urinário; 
  • Aumenta o risco de doenças ortopédicas; 
  • Aumenta o risco de reacções adversas a vacina. 
Aspectos negativos da esterilização de fêmeas 
  • Se for feita antes de 1 ano de idade, aumenta significativamente o risco de osteossarcoma (cancro nos ossos), sendo este um tipo de cancro comum em raças maiores, com um prognóstico pobre; 
  • Aumenta o risco de hemangiossarcoma esplénico por um factor de 2,2 e hemangiossarcoma cardíaco por um factor de > 5, que é um cancro comum e principal causa de morte em algumas raças; 
  • Triplica o risco de hipotireoidismo; 
  • Aumenta o risco de obesidade, em 1,6-2x; 
  • Causa incontinência em 4-20% das cadelas; 
  • Aumenta o risco de infecções persistentes ou recorrentes do trato urinário em 3-4x; 
  • Aumenta o risco de dermatite vaginal e vaginite, especialmente para fêmeas castradas antes da puberdade; 
  • Duplica o risco pequeno (<1%) de tumores do trato urinário; 
Na nossa mais sincera opinião, a castração deve ser um procedimento a usar com muita cautela e a ser usado em casos devidamente estudados tendo em conta as variáveis: socialização, passeio, ser "filho único" ou com mais irmãos. Há que pesar os prós e os contras, tendo sempre em mente que toda a cirurgia é um risco. Não é porque se tem um cão de raça pura que se vai deixar cruzar. Antes de tomar a decisão acerca da castração do seu cachorro, procure sempre a orientação de um profissional veterinário da sua confiança.