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Os cães podem ficar deprimidos?

17.10.12
Ontem ouvi uma senhora dizer que tinha ido a um determinado veterinário com o seu cão, e que o mesmo lhe tinha recomendado a ida a um psicólogo com o cão porque o animal estava com uma depressão. A senhora tinha ficado muito ofendida e incomodada. Perguntava-me a senhora: "A Joana acha isto normal? Um cão com depressão? Levá-lo ao psicólogo?". O que expliquei à senhora foi algo tão simples como passo a descrever.

A amplitude emocional de um cão não é muito extensa ou profunda, por essa razão quando um cão parece ter sinais de depressão, letargia, perda de apetite, alterações nos hábitos de sono, o mais provável é que o problema seja físico, não mental.

A psicologia canina deve ser vista como uma pseudociência, sendo que é mais fácil de ser vendável que a própria ciência. O maior desafio de qualquer psicólogo canino é provar que a psicologia canina existe dado ter de passar por toda a rigorosidade da metodologia cientifica.

Ainda assim, não se pode negar o facto de já imensos amantes de cães já terem observado uma expressão de pesar nos animais que acabaram de perder um membro da família. Os exemplos mais conhecidos são o de Hachiko e de Greyfriars Bobby. A história de Hachiko pode ser lida aqui. Quanto ao caso de Greyfriars Bobby, um Skye Terrier que visitou a campa do seu dono na Escócia, diariamente, durante catorze anos, até à sua própria morte em 1872. Existe uma tese que defende que o facto de algumas pessoas terem reparado no comportamento do Skye Terrier e o compensarem com comida e abrigo, pode ter sido um factor decisivo para a continuidade desse comportamento. Contudo, não estragando uma boa história e focando-nos no facto de a visita diária do pequeno ser meramente devida à ausência do seu dono. Portanto, parece que sim. Parece que alguns cães reagem emocionalmente à perda de um ente querido, seja ele humano ou animal.

Conquanto, os cães uma capacidade extraordinária de se adaptarem às mais diversas situações.  Pensemos nas instituições de acolhimento. Consegue imaginar quanto tempo uma pessoa teria de fazer terapia se fosse subitamente retirada do seio familiar e integrado noutro seio familiar? Embora existam casos de cães com adaptação difícil, com comportamentos de ansiedade e destrutivos quando ficam sozinhos, muitos recuperam desse período e tornam-se em pouco tempo felizes membros da família.